Bizarro

Oi!

Hoje escrevo-te sobre Bizarro. Não deixa de ser curioso como há algum tempo ria-me daqueles autores que escrevem cartas às famílias a dar notícias dos personagens das histórias, mas agora compreendo como podem ajudar. Para além disso, serve para te mostrar que não estou apenas sentado a coçar o rabo!

Luc Viatour © GFDLBizarro teve uma vida digna de nota, não no sentido que a vida dele tenha marcado a História, nem de um país, nem da aldeia onde passou a maior parte da sua vida, nem sequer da maioria das pessoas que o conheceram. Foi digna de nota porque o destino, ou outra entidade/divindade/força inexplicável pela ciência, decidiu contar através dele, não um história, mas muitas. Dizer que Bizarro não teve controlo nenhum sobre os eventos que fizeram dele notícia não está longe da verdade, mas achar que isso denota alguma fraqueza de carácter está. Bizarro lutou tanto quanto lhe foi possível contra o destino que a sorte lhe escolhera, como posso testemunhar pela história que assisti.

Aos oito anos de idade, uma tripla avaria; no motor do carro em que seguia; na cancela da passagem de nível; nos travões do comboio que passava, levaram-lhe os pais, a irmã mais velha e o gato de estimação. Bizarro sobreviveu, contra todas as expectativas dos médicos, que se mostraram muito desapontados. Com a cara desfigurada, coxo de uma perna e aleijado da outra, fez notícia no canto inferior da página 18 do jornal “O Crime”. Valeu-lhe a alcunha, que teria assumido como nome oficial numa noite louca aos 18 anos, caso houvesse um notário à mão de semear. Orfão e condenado a aparecer nas fotografias da cintura pra cima e do pescoço pra baixo, o golpe final foi ser enviado para morar com uma prima em segundo grau numa longínqua aldeia no meio da serra. Poupou imenso dinheiro ao estado, mas a infância de Bizarro acabou aí.

Envio-te estes trechos curtos, antes que se percam na memória ou fujam das próprias páginas do caderno. As histórias são danadas nesse sentido…

Beijinhos

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